segunda-feira, 8 de setembro de 2014

_sobre deriva do dia 07 de setembro - duplo urbano

Uma experiências de duplo urbano

Quais as musculaturas que esse outro acessa?
E se acessar, que energia libera?
Ele apareceu no meu caminho porque era a energia que eu precisava por hora.
A cada minuto acaba.
Um passo por um minuto.
Ele
O encontro
Foi na esquina convergente.
Ao todo foram 11 quarteirões.
Sol e sombra
Sem gente
Pouca gente
Uma
Duas
Um sorriso e uma mão que me ajudou.
Música
Emoção
Casais
Sentido
O saci embaixo da ponte nunca foi revelado.
Ali não passam pessoas em seus pés.
Gente passando a carro.
Volta para ver as árvores.
Árvores que centenam.
Como deve ser centenar?
Edmilson fala.
Fala bonito porque fala.
É foto fácil enquanto ele também ouve música.
A esquina porta para encontrar o duplo.
Ande por ruas diferentes, 
construa uma escada e 
quando chegar no andar de cima, entre.
Você vai perceber quem é ele.
Acompanhe o passo.
Um passo é um instante de existência.
Um momentum.
Incorpore esse instante.
Sola do pé é onde bate o coração.
Coragem.
Atravesse.
E deixe-se atravessar.
Construa o duplo urbano.
Do outro lado,
espelho oposto.
Exponha-se
Para que seja uno.
No melhor espírito unidunitê.

sábado, 30 de agosto de 2014

pequenas narrativas sobre a deriva do dia 11 de agosto

[por Verônica Veloso]

Mirante para a urbes
praia de Paulista
visão da metrópole.
Meu corpo exíguo e o corpo da cidade.
Faixas amarelas táteis
Táticas para o deslocamento.

Tríade que se configura em estado de lentidão
Não somos lentas,
esse é nosso tipo de movimento
Lentas, atentas
A trinca trava a rua
a escada
sem espada, mas em escudo
trios
ângulos
se
observam
se
demoram
suspensão, apneia
joelho solto, desço
o corpo trota
triângulo em devaneio
degrau abaixo.

Cheiro de pão.
O que me move?
O cheiro do pão.
O que me faz parar?
A fila do pão.
O que me confunde? Desorienta?
Solicita ruptura:

O pão!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

COLETIVO TEATRO DODECAFÔNICO NA VIRADA CULTURAL


ATO ÍNTIMO CONTRA O EMBRUTECIMENTO

ATO ÍNTIMO CONTRA O EMBRUTECIMENTO
por Verônica Veloso

(doze de fevereiro)
Em 15 minutos
se inicia a DERIVA DODECAFÔNICA
três mulheres reconhecem
recortes da cidade.
Deixar-se perder em de São Paulo.
Ainda não são 14h
nem estou na Praça Roosevelt - ponto de
encontro
(mas) para mim,
a deriva já começou
tudo e todos que eu encontro salta(m) aos meus olhos
e sentidos.

(para ser lido em voz alta)
Uma puta passa batom
rosa pink
um garoto ruivo
vestindo camiseta
vermelho salsicha
toma fanta laranja
a máquina que vende tickets
me confunde e meu
joelho range um pouco
ventos surpreendentes dos
subterrâneos do metrô
Antes do trem
um moço grande
pesado na medida
corpo vibrátil
conexão entre
púbis e esterno
ísquios e topo da cabeça
conectados
A prévia da deriva
O corpo modificado pelo evento vindouro
Não é o Rui!
É casado,
talvez gay, tem amigo careca.
Sensação estranha de estar sendo
lida enquanto escrevo.
Efeitos de uma escrita em
Tempo do percurso Butantã-
República.
A prévia da deriva é um
desdobramento da deriva,
um dispositivo complementar.



(vinte e sete de março)
Atenta ao meu corpo
estado que antecede à deriva
faço pequenas narrativas temporais
que duram o tempo
do trajeto Butantã-República.

Meu corpo anda atravessado
por ideias, sentimentos e sensações
carnavalescas.
Rompantes de
lantejoulas e combinações de cores
me acometem. A paisagem
me convida a observar azuis.
Em minha errância urbana
o azul me acalma, me refresca,
cria 1 contraponto para os 36 graus.
Ele conversa com amarelos e
calores. O texto do meu
pensamento é mais rápido
que a minha capacidade de
escrita. Desejos de colorir a
cidade com cores
escolhidas. Hoje seria azul,
a cor mais quente.
Todos os quadros têm
elementos desta cor.
Exibida,
sento-me entre pessoas
escrevo sem me esconder
e permito que elas acompanhem

o fluxo da minha escrita.