quarta-feira, 4 de março de 2015

JOGO PARA UM PERCURSO – Elástico invisível (Regras e procedimentos)


Jogo para um percurso
ou elástico invisível
ou jogo de partículas que se movem no espaço

O que é o jogo?
Uma experiência de deslocamento em deriva num percurso urbano.


Regras:
Pode-se andar e pausar.
Na dúvida, siga as perguntas: O que te faz andar? O que te faz parar?
O andar e a pausa acontecem pelo estímulo dos elementos do espaço, dos outros jogadores, das pessoas que passam e de tudo o que se move na cidade.
Jogadores se mantém como se tivessem conectados por um elástico invisível que pode esticar ou aproximar. Por isso, mantém-se pelo menos um jogador no campo de visão.
Jogadores são partículas em movimento conectadas e afetadas por outras partículas.
Traçam linhas e desenhos no espaço.

Palavras-chave: Sutil, simples, impulso.

Procedimentos:
_Seguir o fluxo daquilo que se move (pessoas, carros, caminhões, bicicletas, pombas etc).
_Traçar linhas imaginárias que dialogam com as linhas do espaço (verticais, horizontais, diagonais, circulares).
_Seguir o andamento de alguém que passa (jogador ou transeuntes), no mesmo sentido ou em sentido oposto.
_Formar figuras geométricas imaginárias (retas, triângulos e quadrados) com os outros jogadores. Cada participante é um vértice. 




Fotos: Papá Fraga

segunda-feira, 2 de março de 2015

JOGO PARA UM PERCURSO – Elástico invisível (Inspiração e preparação)


Jogo para um percurso
ou elástico invisível
ou jogo de partículas que se movem no espaço


Inspiração:

No livro “WALKSCAPES – o caminhar como prática estética”, Francesco Careri apresenta o termo percurso como:
1- ação de caminhar/andar (o ato da travessia)
2- desenho/objeto arquitetônico (a linha que atravessa o espaço)
3- estrutura narrativa (relato do espaço atravessado)

“No último século o percurso (...) assumiu o estatuto de puro ato estético. Hoje se pode construir uma história do caminhar como forma de intervenção urbana que traz consigo os significados simbólicos do ato criativo primário: a errância como arquitetura da paisagem, entendendo-se com o termo paisagem a ação de transformação simbólica, para além da física, do espaço antrópico*”.
(*relativo ao período de existência da humanidade)

“O caminhar, mesmo não sendo a construção física de um espaço, implica uma transformação do lugar e dos seus significados. A presença física do homem num espaço não mapeado – e o variar das percepções que daí ele receba ao atravessá-lo – é uma forma de transformação da paisagem que, embora não deixe sinais tangíveis, modifica culturalmente o significado do espaço, e consequentemente, o espaço em si, transformando em lugar. O caminhar produz lugares”.

WALKSCAPES – o caminhar como prática estética
Francesco Careri

Delirium Ambulatorium seria a “paixão-meditação-andar” conduzida pelo “corpo-pé” na “cidade-playground”?
Denominações de Helio Oiticica (des)ordenadas numa pergunta que faço.

Preparação:

#1
Procure um lugar no espaço onde consiga soltar o peso.
Espreguice. Ative sua pele.







#2
Balada silenciosa.
Coloque seu fone de ouvido e música. Mova as articulações de baixo para cima.
Pés, joelhos, pernas, quadril, coluna vertebral, ombros, cotovelos, mãos e cabeça.
As articulações dançam o som que entra em segredo pelos ouvidos.
Aproveite para sentir seu “corpo-pé”. Destrinche-o!
Lembre-se: sola do pé é onde bate o coração.
Experimente a conexão entre os movimentos do seu pé e do seu quadril.
Mantenha-se olhando para as outras pessoas do grupo.
Haja e reaja.
Repita, duplique, aumente, desloque, transponha, acelere,
desacelere, diminua o que o outro faz.

#3
“Paixão-meditação-andar”!
Ande pelo espaço.
A pausa é uma possibilidade.
Pare quando quiser. Volte a andar quando quiser.
3 níveis de atenção que se somam.

_primeiro: o seu próprio corpo.
Perceba o tamanho do seu passo.
Conecte-se com a posição dos seus ossos e como se articulam enquanto você anda.
Experimente o peso de um lado para o outro.
Conecte-se a sensações, frio e calor, dor, invisibilidade de alguma parte, respiração.

_segundo: o espaço.
Olhe o espaço enquanto anda. Teto, parede, chão.
O espaço externo expande o espaço interno.
Abra-se.
Luminosidade. Dimensões. Formas. Linhas.
Percurso é ação e desenho, o ato de andar e a linha que atravessa o espaço.
Quais são os seus percursos nesse espaço?

_terceiro: o outro
Olhe os outros corpos enquanto andam.
Perceba o espaço entre eles e entre você e estes corpos.
Perto ou longe, energia e ar que circula.
Contamine-se pelo fluxo dos outros jogadores, por todos que passam, pelo que se move nesse espaço.

Fotos: Camilla Loreta e Papá Fraga
Desenhos: Vânia Medeiros e Olivia Niculitcheff

AUDIOTOUR - Procedimentos para deslocar-se na multidão


“Procedimentos para deslocar-se na multidão” é um audiotour criado pelo Coletivo, que inicia seu processo de pesquisa nesse suporte.

Trata-se de uma experiência de jogo no espaço urbano, que pode ser feito em qualquer local que tenha multidão ou um grande número de pessoas circulando.

Abaixo segue o link com o arquivo para ser baixado.
ARQUIVO AUDIOTOUR

https://www.dropbox.com/s/mu7hme0zv0mgf8p/Audiotour%20procedimentos%20pra%20deslocar-se%2004.mp3?dl=0

É só baixar e colocar este arquivo nos celulares ou mp3 players.
É importante baixar e não deixar o arquivo apenas online, já que a internet é instável. É bem interessante utilizar os dispositivos sonoros que estão acostumados, isso potencializa a experiência já que estão familharizados ao aparelho.
Roupas frescas e calçados confortáveis para andar também são recomendáveis!






Esta ação faz parte da bolsa MERGULHO ARTÍSTICO, da Oficina Cultural Oswald de Andrade.
Fotos: Camilla Loreta


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DERIVA 24h – Música durante, ecoa meses depois


Durante...
por Sandra Ximenez

SOU FORTE COMO O VENTO

SOU PESADO COMO AS ÁGUAS

SOU FORTE COMO O VENTO

SOU PESADO COMO AS ÁGUAS

SOU EU, ROUXINOL,
ANDO PELA MADRUGADA

SOU EU, ROUXINOL, 
ANDO PELA MADRUGADA


Durante meses depois…
por Hideo Kushiyama

Tocar a cidade em uma melodia, ou o canto o sobre qualquer canto, canto-lugar, becos, bifurcações e ilhas. O não destino nas mãos, onde as linhas se cruzam, rompem, se perdem, se tencionam gerando o axé!. Conter nas mãos o corpo mapa de um mistério, derivar me chama para o sacerdócio do acaso das cidades invisíveis e possíveis, destino temporário, destino-fluxo, destino do agora, tempo de vida e morte em 24 horas.

O corpo ainda pede alguma coisa, a cidade chama para mais um namoro, não moro, não
morro! Sobrevivência de tempos depois!

Uma reflexão porque “errare humanum est...”
por Beatriz Cruz


No livro “Walkscapes – o caminhar como prática estética”, Francesco Careri traça um panorama da errância e revisita o mito de Caim e Abel, observando a relação nomadismo e sedentarismo. Segundo o Gênese, os filhos de Adão e Eva representam a “divisão do trabalho e, portanto, do próprio espaço”.

Caim, representa a alma sedentária. Raiz da palavra significa possuir, adquirir, obter, governar, subjulgar, ferreiro...
Abel, representa a alma nômade. Raiz da palavra significa VAPOR, termo refere-se a toda coisa animada que se move)

Vapor, ar e água
Sou eu, forte como vento e pesado como as águas.
Ando pela madruga.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

DERIVA 24h - As primeiras 4h em imagens

A Deriva 24h pelo olhar de Cacá Bernardes.
As primeiras 4h.
5 procedimentos para se perder.

Da Roosevelt ao Paraíso.
Garoa fina e lua cheia.