sábado, 6 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nossa passagem pelo Sesc Pompeia



Atriz 1: O ovo é a mais perfeita das arquiteturas!
Atriz 2: Viva o Ovo Bo Bardi!
Atriz 1: Lina Bo Bardi tinha inveja da galinha!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Grupo ou Coletivo - uma questão de tempo

Em 2008 escrevi esse resumo expandido no qual refleti sobre as duas intâncias: o grupo e o coletivo. A partir da pergunta: “coletivo é apenas um novo nome para grupo?”, procurei esboçar o conceito de coletivo, confrontando-o com o de grupo. Atraídos por uma investigação estética bem definida que seria desenvolvida como experimentação prática de uma pesquisa de mestrado, um amontoado de jovens foi reunido no que se escolheu intitular: Coletivo. É essa experiência, nutrida pela observação de um contexto de organização e proliferação de grupos de teatro atualmente na cidade de São Paulo, que inspiraram a discussão desses conceitos como relativos ao tempo e não ao espaço. Hoje, atuando com o Coletivo Teatro Dodecafônico, vejo essa teoria sendo escrita através da experiência.


Para aqueles que cursam uma Universidade de Artes Cênicas fazer parte de um grupo é uma condição quase definitiva para se alcançar uma carreira bem sucedida. Principalmente para quem espera desenvolver a linguagem teatral atuando nos processos de criação de forma ativa, ou seja, para quem pretende ser sujeito do teatro que cria. Estar em um grupo é um cartão de apresentação, uma forma de explicitar suas escolhas artísticas e reconhecer seus pares. É inegável a importância do trabalho grupal na formação das identidades, pois do encontro com o outro, com o diferente, temos condições de fazer escolhas, que nos aproximam ou nos distanciam. Essa convivência faz do outro um parâmetro para atitudes, um referente, um modelo. No ambiente do grupo, à semelhança do ambiente familiar, o sujeito pode ser moldado como artista e como homem, por meio de identificações e negações.
Nos últimos vinte anos, há um esforço bastante significativo da classe teatral paulistana no sentido de se organizar: o Movimento da Arte Contra a Barbárie e a elaboração e aprovação da Lei de Fomento são exemplos também da iniciativa dos grupos teatrais. A atenção pública voltada a editais, cujos benefícios contemplam todo o processo de criação teatral, da pesquisa à circulação, são provas contundentes da força de diversos artistas organizados em grupos lutando por objetivos comuns. Fala-se em mais de 500 grupos de teatro atuando hoje na cidade de São Paulo, um verdadeiro renascimento do teatro de grupo, um momento de efervescência teatral. Exemplo disso é a ampliação do projeto Teatro Vocacional, levando aulas de teatro e acompanhamento de grupos para todas as Casas de Cultura e C.E.U.s da cidade. Tanto na esfera dos artistas profissionais quanto na formação de jovens artistas, a opção por participar de um grupo é visto por alguns como a condição mais legítima, hoje.
A história do teatro, desde seu surgimento remonta a uma esfera coletiva, associada às festividades e à família. Dois exemplos são suficientes para trazer à tona esse contexto histórico: o teatro grego e a Commedia dell’Arte, ambos referem-se à celebração e ao ambiente coletivo, familiar e público. A história de Maurice Durozier, ator do Théâtre du Soleil , filho da quinta geração de uma família de atores também ajuda a refletir sobre as características dos grupos de teatro nos últimos tempos. Mesmo quando os atores não vêm de famílias tradicionais, recebendo o legado da representação de seus pais e avós, a estrutura de grande parte dos grupos teatrais é similar à estrutura de uma família. Paralelamente, as novas gerações de atores são filhas de estruturas desfeitas ou de uniões temporárias. Se não cabe aos grupos teatrais preencherem essa lacuna estrutural, de que modo a crise da família pode afetar tais agrupamentos artísticos?

Se fosse uma questão de espaço, grupo seria sedentário.
Durante a graduação, uma das afirmações mais contundentes que ouvi foi: “nem todo amontoado de gente é um grupo!” No momento em que a frase foi dita, toda a classe estava muito angustiada com as próprias cobranças de formar grupos com as turmas nas quais lecionávamos. Entendemos mais tarde que a decisão de se formar um grupo não é do professor/ encenador, nem de algum líder, nem de uma pessoa só, mas de um interesse comum despertado em muitos indivíduos ao mesmo tempo. Um grupo não é formado de imediato, depende de um desenvolvimento no tempo, como se de repente as pessoas percebessem que estão sendo, agindo como um grupo.
A definição de grupo encontrada no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa se refere “a conjunto de pessoas ou coisas dispostas proximamente e formando um todo”, “conjunto de pessoas ou coisas que têm características, traços, objetivos, interesses comuns”. No final do verbete, há ainda a seguinte indicação: do italiano gruppo, entendido como “nó, conjunto, reunião”. Pertence à tradição teatral, a organização em grupo. No entanto, essa nomenclatura foi bastante utilizada a partir da década de 60, momento da criação de grupos que correspondiam ao pensamento e ao comportamento vigentes na época. Também aparecem como uma resposta a uma estrutura mais antiga, mas ainda existente, de teatro comercial que apresenta o nome de um ator ou atriz importante acompanhado por um “grande elenco”.
O conjunto de pessoas com interesses comuns que caracteriza o grupo teatral tem como modelo de estruturação grupos de longa vida, aqueles que permanecem juntos vinte, trinta anos. Talvez a principal característica desses agrupamentos seja sua relação com o tempo, sua formatação duradoura. Esse modelo de grupo estável, com atestado de qualidade garantido pelo tempo de trabalho tem um papel muito importante na organização dos artistas como classe de trabalhadores. Participar de um grupo é um meio de inserir-se no mercado das artes, colocando-se em condições de concorrer aos editais de fomento à produção das criações. Essa estrutura de grupo passou a ser considerada o ideal almejado por muitas pessoas, que mesmo antes de traçarem seu percurso coletivamente, esperam encontrar seus pares para fundar um grupo teatral. Algumas vezes esse “nó” permanece atado apenas na figura do diretor ou de um número restrito de integrantes em torno dos quais gravitam atores passageiros. A nomenclatura (grupo) e a contagem do tempo, entretanto, permanecem, provavelmente porque o tempo de sobrevivência dos grupos conta pontos a favor na luta pelos editais de cultura. Exemplo disso é a brochura de comemoração de 10 anos de um evento promovido pelo SESC intitulado Palco Giratório, no qual todos os grupos são inicialmente apresentados pelo tempo de permanência juntos .

Se fosse questão de espaço, coletivo seria nômade.
Na pesquisa de mestrado que desenvolvo na Universidade de São Paulo pretendia usar o cinema como um modelo de composição a ser utilizado em processos artístico-pedagógicos, por isso foi preciso reunir pessoas dispostas a experimentarem a pertinência dessa proposta. Ao longo de um ano e meio de experimentação prática dessa pesquisa, além da criação de uma encenação, muito tempo foi dedicado à construção da logística desse agrupamento, que escolhi não chamar de “grupo”. Não gostaria de impor essa condição (sermos um grupo!) para que essas pessoas desconhecidas trabalhassem em conjunto e, ao mesmo tempo, gostaria de reiterar meu intento de agregar interessados por cinema, que quisessem fazer teatro. Convencida de que outras pessoas se interessariam pela dupla cinema/teatro, espalhei cartazes pela Cidade Universitária convidando toda e qualquer pessoa (acima de 18 anos) para integrar um coletivo. Esse coletivo recebeu o nome de Jogos do Olhar, pois seria convidado a olhar as cenas dos filmes para compor as cenas teatrais. O Coletivo - Jogos do Olhar foi definido pelas pessoas que o fizeram, tomou o corpo de quem o experimentou, por isso teve características específicas. Como participante dele, tomo-o como referência, como ponto de partida e de apoio para esboçar esse conceito. Muitas vezes nos perguntamos: É só um novo nome? O novo nome pressupõe quais mudanças nos modos de produção?
A idéia de coletivo de artistas é muito comum nas artes plásticas, de onde as artes performáticas tomaram o conceito emprestado. Geralmente, os coletivos se reúnem com o intuito de ocupar determinados espaços ou discutir determinados temas de interesse comum. No Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa a definição de coletivo “compreende ou abrange muitas pessoas ou coisas”, “pertence a um povo, a uma classe, a um grupo”. Do latim collectivus significa aquilo “que agrupa, ajunta”. A palavra “coletivo” é apresentada como antônimo de individual.
Um coletivo, de acordo com as referências explicitadas acima, é uma possibilidade de experimentar com um amontoado de gente, o que não substitui a vivência em grupo, mas nos convida a explorar outros modos de estar junto. Seu modo de formatação é por meio de “empreitadas”. Escolhe-se um foco de interesse, um local para ocupar, ou tema agregador de grupos e artistas “avulsos” e num tempo pré-estabelecido desenvolve-se o trabalho. O Coletivo sobrevive o tempo que dura a empreitada, tem hora de começar e de acabar. Procura inserir-se no mercado pela quantidade de pessoas que agrega e pelo peso de seus trabalhos juntos, pois não pode comprovar a excelência de seu trabalho pela permanência no espaço/tempo. Não se confunde com uma criação coletiva nos moldes dos anos 60, uma vez que têm as funções muito bem definidas. Está claro quem é o diretor, o ator, o iluminador, o programador visual. Por isso aproxima-se de um processo colaborativo, pois pessoas de áreas diversas criam coletivamente, cada qual se responsabilizando por sua especificidade. Não está distante de um grupo no que diz respeito a envolvimento e dedicação. Trata-se, portanto de uma estrutura mais fluida. Se o grupo fosse um casamento, o coletivo seria um namoro, um convite a enlaces mais temporários, sujeito a repetições e reorganizações de tempos em tempos.

Verônica Veloso - integrante do Coletivo Teatro Dodecafônico

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Disfarce do Ovo no Sesc Pompéia










Curta temporada no SESC Pompéia
Dia(s) 17/01, 24/01 e 31/01
Domingos, às 17h30.


"O Disfarce do Ovo" é um conjunto de respostas do Coletivo Teatro Dodecafônico a dois contos de Clarice Lispector, "A Legião Estrangeira" e "O Ovo e a Galinha". A ideia da peça é descobrir formas de transpor para a cena a "experiência clariceana", a partir de temas, imagens, sensações, abstrações e epifanias que emergem da leitura de seus escritos. A dramaturgia é composta por sete quadros e propõe uma escritura por imagens. O corpo é o suporte e o condutor para o acontecimento da experiência. Com Coletivo Teatro Dodecafônico. Limite de 30 expectadores por apresentação. Peça itinerante, ínício em frente ao Espaço de Leitura.


R$ 8,00 [inteira]
R$ 4,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 2,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

Vai lá!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tchau Yayá!








Dia 19 de dezembro acontecerão as derradeiras apresentações de "O Disfarce do Ovo" na Casa de Dona Yayá. Apesar dos contratempos, a peça fica linda lá! Ingressos praticamente esgotados, restam pouquíssimos!

E em janeiro voltamos! Em breve colocamos as diretrizes para quem estiver por aqui.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ovo interrompido!




A Casa de Dona Yayá cancelou a temporada da encenação “O Disfarce do Ovo”!


Últimas apresentações apenas no dia 19-12-09, às 19h e às 21h.

Façam suas reservas!

Estamos organizando debate público sobre o tema: Artistas e Coletivos Artísticos em Espaços Públicos Institucionais – Diálogos e Tensões
Aguardem divulgação.


Abaixo, segue texto detalhando a situação:

A temporada de O Disfarce do Ovo, após algumas tentativas de diálogo, foi interrompida pelo Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá, sob o argumento de que o Coletivo Teatro Dodecafônico teria descumprido regras do Termo de Compromisso firmado com a casa.
O Coletivo Teatro Dodecafônico não causou nenhum dano ao patrimônio público tombado da Casa de D. Yayá (regra central do Termo firmado), ao contrário, ressaltou a preservação arquitetônica da Casa, utilizando a arquitetura como locação para o experimento cênico, sem escamoteá-la.
Um dos princípios norteadores do grupo, em sua criação artística, é não só dialogar, mas incorporar a arquitetura ao seu discurso cênico. Durante as apresentações, não só o espaço público foi respeitado, como um outro modo de olhar para essa arquitetura foi proposto, valorizando a Casa de D. Yayá e levando um público diferenciado para conhecê-la.
Diante desse impasse que vivemos hoje, entre o embate e a tentativa de conciliação com a administração da Casa, sentimos a necessidade de abrir um espaço para debatermos essa situação. Propomos e convidamos a todos para participarem de um debate público sobre as possíveis parcerias entre coletivos artísticos e instituições públicas.
Sabemos que outros artistas e coletivos artísticos passaram situações similares seja com o próprio CPC-USP, seja com outros espaços públicos institucionais que têm tentado agregar “valor” às suas ações por meio do empreendimento de ação cultural e educativa na área de artes. Entendemos que a iniciativa de realização de um debate público será benéfica para ambas as partes, tanto aos artistas que se interessam pela vivacidade dos espaços abertos à cultura, quanto às instituições que refletem sobre as melhores maneiras de compor editais e chamamentos públicos.
Gostaríamos de iniciar o debate sobre o tema por meio de nosso blog: http:// teatrododecafonico.blogspot.com.
Além disso, faremos duas últimas apresentações no espaço para, ao menos, tentar receber os espectadores que já estavam nas listas de reserva ou que haviam deixado seus nomes para voltarem à peça, pois estavam presentes em apresentações canceladas por motivo de chuva. Nelas gostaríamos de também convidar todos aqueles artistas, pesquisadores e espectadores em geral que tenham interesse pelo tema.
Por fim, é nossa intenção propor à direção da Casa de Dona Yayá a realização de um debate público com o tema “Artistas e coletivos artísticos em espaços públicos institucionais – diálogos e tensões” ainda no mês de dezembro, utilizando datas em que ocorreriam apresentações de nossa encenação.

Esse é um convite para a reflexão e o debate. Sinta-se à vontade para expressar sua opinião!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Uma reação ao disfarce do ovo - por Livia Almendary

Olhar, apalpar com olhos nômades
ou
Uma reação ao disfarce do ovo


por Livia Almendary

O olhar sempre foi considerado algo perigoso. Orfeu transformou sua amada em estátua com um olhar impaciente; Narciso apaixonou-se por seu próprio reflexo na água e terminou afogado em si mesmo; Édipo furou os olhos porque não suportou ver que tinha matado o pai e cometido incesto com a mãe; alguns índios recusaram olhar-se no espelho pois sabiam que a imagem refletida era sua própria alma, e que a perderiam se nela depositassem seu olhar .
“Ao ver o ovo é tarde demais: ovo visto, ovo perdido”, vai dizer também a(o) narrador(a) de “O ovo e galinha”, de Clarice Lispector . Estabelecer limites, classificar, definir, delimitar, fixar: ver é dar forma ao pensamento e esgotar, de alguma maneira, o instante fugaz em que algo é livre para ser qualquer coisa, antes de ser capturado pela linguagem, pelo discurso, pela autoridade pesada daquilo que diz “isso é...”. Ver, portanto, pode ser de fato perigoso, e o “ovo é coisa que precisa tomar cuidado”, já avisa o(a) personagem do conto nas primeiras páginas.

Contra a adaptação, a reação
Os primeiros críticos literários que escreveram sobre Clarice Lispector notaram que sua prática discursiva retirava o sentido comum das palavras para moldá-las às suas necessidades de expressão. A autora não utilizava a linguagem como um dispositivo para ordenar o mundo, e sim como elemento de transgressão, de potência, num “processo de violação da norma discursiva para arrancar da linguagem pura uma nova energia, indomável e incomum” . Dito de outra forma, Clarice tentava a façanha de escrever sem esgotar ou limitar em apenas uma as “mil faces secretas sob a face neutra ” de uma palavra; escrevia para multiplicar os sentidos do mundo, e não para reduzi-los. “Por isso a galinha é o disfarce do ovo. (...) Ele vive dentro da galinha para que não o chamem de branco. O ovo é branco mesmo. Mas não pode ser chamado de branco. Não porque isso faça mal a ele, mas as pessoas que chamam o ovo de branco, essas pessoas morrem para a vida”, continua a(o) narrador(a).
Levar Clarice dos livros ao teatro não poderia, pois, ser de outra forma senão como uma “reação”. A adaptação – fixação, explicação, tradução – seria trair o próprio objeto de partida, seria como “chamar de branco aquilo que é branco” e, justamente por isso, “destruir a humanidade”. O(a) mesma(o) personagem também nos ensina a “lei geral para continuarmos vivos: pode-se dizer 'um rosto bonito', mas quem disser 'o rosto' morre; por ter esgotado o assunto”. Reagir, pois, para não esgotar.

Contra a colonização, o nomadismo
Disfarçadas de atrizes, as atrizes do Coletivo Teatro Dodecafônico ocupam temporariamente a Casa de Dona Yayá, um sítio histórico no bairro do Bexiga que já foi (e por isso ainda é) uma chácara, uma casa, um espaço cultural para onde elas levaram a Clarice, o ovo, o livro, e o teatro. Não o “teatro de palco”, onde espectador e espetáculo têm lugar definido, mas um teatro que circula, que se desloca, que ocupa e reocupa um território em suas múltiplas possibilidades. Um jardim, uma mesa, um banheiro, uma escada: qualquer lugar é lugar para o teatro dodecafônico de Clarice.
Ocupar um espaço é estabelecer-se num território, estar presente e ativo no mundo. Mas ocupar uma casa antiga para transformá-la em teatro é, também, sair de um território (o palco tradicional), (re)transformar sua função e seu sentido. Territorializar, nesse caso, é desterritorializar o próprio teatro, refuncionalizá-lo. Do espaço fechado, íntimo, escuro, com lugares marcados e protocolo conhecido, foi-se para o espaço aberto, público, livre, nômade.
Nomadismo e liberdade, que fique claro, são aqui entendidos não como renúncia a estar presente e atuante num determinado espaço, e sim como forma de permanecer no (teatro do) mundo sem deixar-se colonizar, sem deixar-se capturar pela norma que, com o tempo, definiu “o teatro”, “o corpo”, “a beleza”, “a família”, “a vida” (para ficar apenas em alguns dos temas abordados na peça do Coletivo, pois a lista é longa até o infinito). Não se trata, portanto, de renunciar a um território ou ao compromisso com o espaço onde se vive (nem ao teatro, à família, à beleza, à vida...), é transitar por esses espaços com olhos nômades, não estáveis, não colonizadores – e por isso transformadores.

Contra a verdade, o disfarce
Em tempos ditos “liberais”, paradoxalmente cresce um controle pulverizado em discursos normalizadores que soam inofensivos, como “cuide de sua saúde e viva mais”, “faça exercícios”, “mantenha sua casa livre de micróbios”, “siga essas dicas e fique com a pele linda ”,“seja alguém na vida (e não ator de teatro)”. Sorria, você pode estar de fato sendo filmado. Também dizem que comer muito ovo faz mal, dá enjoo, pesa, faz subir o colesterol. No mundo de Clarice, e do teatro (dodecafônico), o perigo em relação ao ovo “é que se descubra o que se poderia chamar de beleza, isto é, sua veracidade. A veracidade do ovo não é verossímil. Se descobrirem, podem querer obrigá-lo a se tornar retangular. O perigo não é para o ovo, ele não se tornaria retangular. (…) Mas quem lutasse para torná-lo retangular estaria perdendo a própria vida. O ovo nos põe, portanto, em perigo”. Não à toa, e não por acaso, é que “os iniciados disfarçam o ovo”.

______________________________________________

Marilena Chaui, “Janela da alma, espelho do mundo”.
Clarice Lispector, “O ovo e a galinha” (em Felicidade Clandestina).
Raúl Antelo, em prefácio para a edição argentina do livro “O lustre”.
Carlos Drummond de Andrade, “Procura da poesia” (em antologia poética).
Gilles Deleuze e Félix Guattari, Mil Platôs, capitalismo e esquizofrenia. Volume 1, capítulo 1.

Livia Almendary é graduada em História pela Universidade de São Paulo e mestranda em Literatura Latino-americana na Universidade de Buenos Aires.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Disfarce do Ovo - Temporada na Casa de Dona Yayá



17 de outubro à 20 de dezembro
Sábado 20h e domingo 19h

Casa de Dona Yayá
Rua Major Diogo, 353

Lotação máxima 25 pessoas
Reservar pelo telefone 7674-4062
Em caso de chuva não haverá apresentação

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nova Temporada!


A escolha por espaços alternativos é parte da pesquisa do grupo. Entendemos a arquitetura na qual a peça será apresentada como o primeiro desafio à instalação das cenas. Como o público é acolhido no espaço cênico, a arquitetura é exibida e não escamoteada. Durante os meses de setembro e outubro fixamos residência na Casa de Dona Yayá, onde acontece nossa nova temporada. O que podemos dizer é que é quase uma nova peça... Venha conferir!

De 17 de outubro a 20 de dezembro

sábado, 8 de agosto de 2009

Últimos ensaios

Fotos dos últimos ensaios, parte da residência artística que o Coletivo Teatro Dodecafônico fez em maio no Sesc Pinheiros.
Por Renata Velguim.






domingo, 7 de junho de 2009

Figurino

Por Jorge Wakabara

Procuramos imagens que fugissem de ícones do vestuário feminino que fossem muito óbvios - desde o início, já foi combinado que babados, rosinhas, lacinhos, rendinhas e vestidinhos estariam fora do repertório do figurino para a encenação. Antes, queríamos uma imagem de mulher mais prática e moderna, sem deixar a feminilidade de lado. Como a peça tem muito movimento, o resultado acabou "primo" de roupas típicas de espetáculo de dança: macacões, porém com um tecido não-usual (com um caimento mais fluido e, em um dos macacões, uma modelagem mais solta). Estampas localizadas de pintinho deram um toque lúdico, e brincamos com esse equilíbrio entre o infantil (nas estampas, no collant que uma das atrizes usa por baixo) e o adulto (o macacão como uniforme, a cava profunda, o decote mais generoso). Contamos com a ajuda de Monayna Pinheiro, da marca Apego, pra produção das peças e Mario Mantovanni, para a confecção.

Quer saber mais? Vai lá:

http://djoh.wordpress.com/2009/05/20/e-o-figurino-esta-pronto/

http://www.fotolog.com.br/apego/64297549

sábado, 6 de junho de 2009

Imagens




Clarice Muda

A proposta de O Disfarce do Ovo, do Coletivo Teatro Dodecafônico, é traduzir o universo epifânico de Clarice Lispector com imagens marcantes e pouco uso da palavra. A dramaturgia foi criada a partir dos contos 'A Legião Estrangeira' e 'O Ovo e a Galinha'.

Sesc Pinheiros. Sala de Oficinas (25 lug.). R. Paes Leme, 195, 3095-9400. R$8. Sáb.(30) e dom. (31)

Fonte: Guia O Estado de São Paulo 29\05\09




quarta-feira, 3 de junho de 2009

O ovo por enquanto será sempre revolucionário

Essas são algumas das fotos tiradas por Renata Velguim que serviram como estudo para a arte gráfica. Mas as fotos ficaram tão bonitas, que resolvemos publicá-las aqui.