terça-feira, 18 de outubro de 2011

Retiro Dodecafônico

Registro fotográfico de Renata Veloso sobre o 1° Retiro Dodecafônico!

O que Alice viu

Corpo\Casa
Blues
Cartão postal do futuro
Experiência Agnès Varda + Liv Ullmann
Castanha

Lei de fomento!

O Coletivo Teatro Dodecafônico foi contemplado com o projeto "Decupagem Dodecafônica" pela 19ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Em breve mais notícias desse projeto que se dará em duas frentes:

"São Paulo através do espelho" e "A casa de Lucrecia".

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Uma reação à peça “O disfarce do ovo: uma reação à Clarice Lispector”

Na peça “O disfarce do ovo: uma reação à Clarice Lispector” é quase tudo no feminino. Desde a escolha por uma encenação que abre polissemicamente questões, aos fragmentos do universo feminino que se apresentam e vão compondo a sinfonia de um nascimento. Nascimento da menina na relação com a mãe/mulher ou nascimento de uma mãe ao conceber uma filha? Menina/mulher, mãe/filha, eu/outra, ovo/galinha, são pares de opostos na constituição do EU... no feminino. Menina, filha/ mulher, mãe se alternam nas falas e nos corpos que se descobrem em cena.

Em muitos momentos, o termo ‘esquisita’ aparece nas falas das personagens. Expressão do estranhamento do próprio corpo que cresce feminino, do estranhamento do corpo da mulher, do corpo da outra, das intensidades que se apresentam a partir dele, provocando amor, ódio, perguntas, estranheza, esquisitice.

Realidade/corpo que parece estrangeiro, ou mesmo uma parte do próprio eu... Eu? Corpo de menina frente ao corpo da mulher, corpo de mãe, corpo de filha, sentimento de estranheza. “Esquisita”. Clarice Lispector se faz presente por meio de frases projetadas junto aos corpos que se movimentam tentando se descobrir.

“Quero ter filhAS”, diz a personagem, “filhas meninAS”, enfatiza. Mãe que cuida, mãe que mata, mãe que escolhe, mãe prenhe de ambivalência. “Ser mãe, você quer ser mãe?” Ser mãe já deve ser difícil, o que dirá de ser mãe de um meninO? “Jogo no lixo!”, diz a personagem, fazendo pensar/lembrar na violência possível do amor materno e que este nunca está isento de ambivalência e de conflitos. E que a fantasia de tornar-se mãe de uma menina, onde há uma referência especular, pode assustar menos do que a fantasia de tornar-se mãe de um diferente, de um menino.[1] E que, de qualquer forma, tornar-se mãe e ser filha é um percurso cheio de dores e delícias.

Já de saída, uma das atrizes pede para cada um se posicionar: na fila da esquerda, aquelas que são mulheres, na da direita aqueles que são homens; a seguir, na do meio aqueles que têm nome composto como ela: Ana Lucia, Luis Antonio, José Otávio, Helena Maria... A atriz pergunta ao assistir as pessoas se deslocarem para a fila do meio: “você tem nome composto?”, uma mulher responde: “mais ou menos...”, e ela responde: “o importante é que você escolheu o seu lugar”. A peça nos convoca o tempo todo a escolhermos o nosso lugar. Não há lugar fixo, pré-estabelecido, designado, pode-se escolher.

Levadas de cá pra lá, as pessoas se indagam sobre o que vem a seguir. O deslocamento no espaço atiça a curiosidade e acorda o olhar para cada nova cena, criando aberturas para novos pontos de vista. O público ocupa lugares e cada um toma seu lugar e participa, se quiser, respondendo às perguntas que são lançadas em tom de enigma lúdico a ser decifrado por cada um: “Você quer ser mãe dele?” “Você gosta de ser você?” Questões sobre a nossa origem, identidade, sexo e escolhas circulam o tempo todo dos modos mais variados.

Uma cena se inicia com as atrizes olhando para o público em silêncio, com um olhar curioso, reflexivo e que nos põe a indagar, numa posição ativa, sobre o que acontece?

Várias cenas se sucedem como desdobramentos, facetas e evocações do universo feminino que se articulam pela via da ressonância, abrindo novas e múltiplas produções de sentido. Nada se conclui nem se esgota.

São várias as possibilidades de sentido que um ovo oferece, exploradas com humor ao longo da peça. É possível fritar, “com perfeição”, um ovo. Também namorá-lo, botá-lo, comê-lo, ser envenenado por ele. Qual é o enigma do ovo? Está ligado ao enigma sobre o que é a mulher?

Ao redor de uma mesa de cozinha, conselhos matrimoniais e de beleza são dados. Em outra cena, a destreza culinária é testada e receitas são cantadas em verso e prosa.

Mais adiante, as atrizes/personagens/filhas repetem mandatos maternos enquanto repetem, quase num automatismo, os gestos de limpeza de uma dona-de-casa. Uma fala engole a outra, falas engolidoras e indiferenciadoras. Mas a cena é cômica e provoca muitas risadas da platéia. Através do humor, aplaca-se a força determinadora do superego materno e toma-se distância.

O tempo todo é possível perceber a implicação e inclusão das atrizes e do Coletivo Teatro Dodecafônico na criação, produção e nas articulações propostas na peça. Daí, muitas vezes, ser difícil referir-me somente às personagens, porque me parece que são as personagens/atrizes/mulheres/coletivo que se expressam em reação aos dois contos, que escolheram encenar, de Clarice Lispector.

Helena M F M Albuquerque

Psicanalista

Mestre em Psicologia pela USP



[1] O que também coloca em questão a idéia freudiana de que ser mãe de menino seria mais gratificante e isento de ambivalência para uma mulher. Pode-se pensar que incide sobre essa afirmação o contexto histórico e à posição social da mulher na época, o que o próprio Freud não deixa de reconhecer em seu texto “Moral sexual civilizada e doença nervosa moderna” de 1908.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Disfarce do Ovo no CCSP





Um pouquinho da nova temporada no Centro Cultural São Paulo.

sábados 21h e domingos 20h
até 11 de setembro


terça-feira, 9 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

NOVA TEMPORADA no CCSP



O Disfarce do Ovo
segue em temporada no Centro Cultural São Paulo!


06 de agosto a 11 de setembro.
sábados às 21h
domingos às 20h

Rua Vergueiro, 1000.
(Próximo ao Metrô Vergueiro)

Ingressos: inteira R$10,00 e meia R$5,00



quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Disfarce do Ovo no SESC Ipiranga

4 Apresentações gratuitas de "O Disfarce do Ovo" no SESC Ipiranga.

Dia(s) 27/01, 03/02, 10/02, 17/02
Quintas, às 21h.

Sesc Ipiranga
Rua Bom Pastor, 522


A peça é um mergulho no universo feminino de Clarice Lispector, relido por uma encenação que articula performance, cinema e dança. A encenação é uma reação do coletivo Teatro Dodecafônico a dois contos da autora: “A Legião Estrangeira” e “O Ovo e a Galinha”. Trata-se de uma composição centrada na corporalidade das atrizes em relação com alguns objetos e com o espaço. Convidados a vivenciar uma experiência singular, o público compartilha dos ambientes cênicos sem ser exposto e sem passar ileso às sensações proporcionadas pelo “Disfarce do Ovo”. Com o Coletivo Teatro Dodecafônico. 40 lugares.



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Alices simultâneas


Por Verônica Veloso
Foto: Renata Velguim

O estudo das Alices de Lewis Carroll foi o ponto de partida para o presente trabalho, uma reflexão sobre a infância. Paralelamente à vontade de revisitar esse período da vida, havia o desejo de experimentar a maternidade. Enquanto gestava essa encenação, gestava também uma filha. Não pretendia, no entanto, adaptar as histórias de Carroll para o teatro, mas reagir a elas, utilizando imagens e trechos das obras literárias, nas quais o autor tece metáforas sobre o tempo, jogando com os processos de crescimento e passagem para a vida adulta. Essa dupla gestação, espécie de momento Lagarta, me levou a perceber as estreitas relações entre a minha prática de encenação e as obras de Carroll.

Em suas trajetórias, Alice presencia situações que invertem a lógica racional, mergulhando no non sense do outro lado do espelho e no subterrâneo do suposto País das Maravilhas. Em “O que ali se viu”, a fragmentação do discurso é radicalizada pela utilização do espaço, a escritura imagética, o percurso do público junto com as cenas e a apropriação ‘dodecafônica’ do universo colecionado pelo autor.

Pesquisando ‘coralidades contemporâneas’ (versão atualizada dos coros preconizados pelos gregos), o Coletivo Teatro Dodecafônico se apresenta como um conjunto refratário de vozes dissonantes, discordantes, irreverentes. Dez atores mostram suas versões de Rainhas, Reis, Bispos, Cavalos e Torres, além da linha de Peões, experimentando o jogo de xadrez de Lewis-Alice. A proposição de um teatro infanto-juvenil não impede que a encenação ‘dodecafônica’ se mantenha pautada em procedimentos contemporâneos do fazer teatral. Trata-se de uma encenação afinada com seu tempo e passível de ser vista por crianças e seus familiares adultos, sem prejuízos de interesse.

Em “O que ali se viu”, Alice não aparece, é apenas sugerida, a cada deslocamento, ao descobrir-se a si mesma, num mundo subterrâneo, íntimo. O Coletivo Teatro Dodecafônico pretende tomar o público pela mão, levando-o a atravessar o espelho e a olhar o mundo com olhos de Alice.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Estréia e matéria na Folhinha





Fotos da estréia, por Renata Velguim.

Baseada em "Alice", peça é encenada durante caminhada

Em todos os cantos há um coelho apressado, uma rainha de copas e um chapeleiro maluco. "Alice no País das Maravilhas" nunca esteve tanto na moda. Depois do filme em 3D da Disney, agora é a vez de "O Que Ali Se Viu", nova peça do Coletivo Teatro Dodecafônico.

Embora o espetáculo também pegue carona nos personagens originais, a aventura não é igualzinha. Para começar, ninguém interpreta a própria Alice. Sabe quem faz a personagem principal? A plateia! E nem vai dar tempo de sentir vergonha ou de desanimar. A encenação promete não deixar ninguém parado.

Diferentemente da maioria, "O Que Ali Se Viu" não é encenada em cima dos palcos. Além disso, o público também não assiste sentado. Muito pelo contrário, para acompanhar é preciso fôlego: os atores caminham por todo Sesi Vila Leopoldina durante o espetáculo.

"Essa é uma peça itinerante. A gente não usa cenário também. Colocamos algumas mesas, tapetes e outros objetos só", diz Verônica Veloso, a diretora. O resto fica por conta da imaginação. Então, treine a cuca e as pernas. E se prepare para descobrir a resposta da pergunta que está escondidinha no título: O que Alice viu?

PARA CONFERIR
O Que Ali Se Viu
Onde: Centro Cultural Sesi Vila Leopoldina (Rua Carlos Weber, 835; tel.:0/xx/11/3834-3458)
Quando: de 24 de outubro a 12 de dezembro
Quanto: grátis

sábado, 9 de outubro de 2010

Estréia - O QUE ALI SE VIU - 24 de outubro



O que ali se viu é uma encenação itinerante na qual a Alice dos textos de Lewis Carroll não aparece. O público assume o lugar da personagem, percorrendo cenas instaladas no espaço. O Coletivo Teatro Dodecafônico apresenta dez atores em formações corais e revezando-se na performance de figuras retiradas do jogo de xadrez non sense da obra literária.

Mais informações no site do SESI. Clique aqui.

FICHA TÉCNICA

Elenco: Ana Flávia Chrispiniano
/ Anna Dulce / Beatriz Cruz / Claudia Tordatto / Katia Lazarini / Lígia Borges / Paulina Caon
/ Pedro Felício / Samir Signeu / Sérgio Pupo


Dramaturgia: Silvia Camossa

Preparação Vocal: Sandra Ximenez

Músicas: Anna Dulce

Assistência de Encenação: Daniel Cordova

Vídeo: Marina Bastos

Figurino: Jorge Wakabara

Design Gráfico, Fotografia e Cenografia: Renata Velguim


Produção: Gabriela Cordaro e Verônica Veloso


Encenação: Verônica Veloso

LOCAL

SESI Vila Leopoldina

Rua Carlos Weber, 835
Temporada24 de outubro a 12 de dezembro.
Sábados, às 16h e aos domingos, às 11h
EntradaFranca
Retirar ingressos com uma hora de antecedência
Capacidade80 lugares
Duração80 minutos
Informações

(11) 3882-1066

Recomendação etária
12 Anos
Livre.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Inauguração do Sesc Osasco








Nesse último final de semana rolaram as "Intervenções do Ovo" na inauguração do Sesc Osasco. Disfarçadas de atrizes, as atrizes do Coletivo Teatro Dodecafônico tomaram a sala de leitura da nova unidade providas de ovos, cebolas e Clarice Lispector!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Conversas com A.: Diário de Bordo 5

Criar um mapa de deslocamentos, uma trajetória no espaço fazendo com que o corpo comece a dar vida a uma cena que está em gestação e tem, nesse momento, o trabalho corporal como eixo central de estudo. Cada cena apresentada nessa atmosfera vai ganhando espaço e revelando caminhos, oportunidades de exploração, esboços iniciais que serão aperfeiçoados e aprimorados com o tempo. Quanto maior a clareza da trajetória e dos gestos, maior o envolvimento criado entre ator e expectador. Entre um ponto e outro, um gesto inesperado comunica uma ideia, desperta uma sensação, fala por si. A sensação criada por um instante abre portas para o novo. A pesquisa, o estudo, a dúvida, a incerteza, o experimento, o compartilhamento, o retrabalho, o treinamento... tudo se junta e segue nascendo. Criando base para receber e incorporar tudo mais que está por vir. Personagens continuam seus desenhos. Uma guardiã do tempo, uma mulher que nos conduz por espelhos, outra que esqueceu todos os nomes, um homem caixa, um louco preso no tempo, uma chapateira maluca, uma condutora em um jogo de xadrez, um cavaleiro clarinetista, uma inventora que guarda com ela um Humpty Dumpty, uma lagarta... Seguimos com Alice:

ali

ali
se

se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse

se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce

ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece
(Paulo Leminski)

Descobrindo a cada passo o que ali se viu.

Silvia Camossa

quinta-feira, 29 de julho de 2010

OvOsascO

Intervenções do Ovo, no SESC Osasco

Conjunto de intervenções cênicas criadas pelo Coletivo Teatro Dodecafônico, reagindo ao universo epifânico da escritora Clarice Lispector. A proposta é transpor personagens ou situações sugeridas pela literatura para performances de curta duração.
Sala de Leitura: dias 31/07 e 1º/8, sábado e domingo, 10h, 11h30, 12h30 e 14h30.